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domingo, 3 de julho de 2011

"Catecismos", as revistinhas eróticas em quadrinhos de Carlos Zéfiro, nas décadas de 50 a 70.




Carlos Zéfiro? Leitura proibida na década de 60 e que alguns poucos tinham um exemplar em casa. Escondido e muito bem escondido. Ter mais de um exemplar, então, era um luxo e consequentemente um risco maior da mãe encontrar. Perigossímo! 
   Sedentos leitores do “catecismo zefiriano”, que possuía uma bibliografia com mais de 500 títulos, fomos iniciados na arte dos quadrinhos eróticos. Apostila de didática sem igual povou o imaginário do público masculino com suas históricas que beiravam a pornografia, mas que de certa forma continham um “que” de ingênuo, no que diz respeito a estrutura da narrativa.


Carlos Zéfiro é o pseudônimo do funcionário público brasileiro Alcides Aguiar Caminha (Rio de Janeiro, 25 de setembro de 1921 - Rio de Janeiro, 5 de julho de 1992) com o qual ilustrou e publicou, durante as décadas de 50 a 70, histórias em quadrinhos de cunho erótico que ficaram conhecidas por "catecismos".

Alcides Aguiar Caminha, carioca boêmio, ilustrou e vendeu cerca de 500 trabalhos desenhados em preto e branco com tamanho de 1/4 de folha ofício (chegou a publicar num outro formato, 14 x 21 cm), um quadro por página contendo de 24 a 32 páginas que eram vendidos dissimuladamente em bancas de jornais,[3] devido ao seu conteúdo porno-erótico, ficando conhecidos como "catecismos" e chegaram a tiragens de 30.000 exemplares.
Biografia
Casado desde os 25 anos, com Dona Serat Caminha teve 5 filhos e sempre escondeu de toda a família sua atividade paralela de desenhista e aposentou-se como funcionário público do setor de Imigração do Ministério do Trabalho.
Sua identidade somente se tornou pública em uma reportagem de Juca Kfouri para Revista Playboy (onde era editor na época) que foi publicada em 1991, um ano antes de sua morte.
Autodidata no desenho e concluinte do curso de segundo grau somente quando tinha 58 anos, manteve o anonimato sobre sua verdadeira identidade por temer ter seu nome envolvido em escândalo o que lhe traria problemas por se tratar de funcionário público submetido à Lei 1.711 de 1952 que poderia punir com a demissão o funcionário público por "incontinência pública escandalosa" e retirar os proventos com os quais mantinha a família.
Carreira

Os "catecismos" eram desenhados diretamente sobre papel vegetal, eliminando assim a necessidade do fotolito,[4] e impresso em diferentes gráficas em diferentes estados da Federação, gerando, inclusive, diversos imitadores. Em 1970, durante a ditadura militar, foi realizada em Brasília uma investigação para descobrir o autor daquelas obras pornográficas. Chegou-se a prender por três dias o editor Hélio Brandão, amigo do artista, mas a investigação terminou inconclusa.
Seus quadrinhos eram inspirados em quadrinhos românticos mexicanos publicados pela editora Editormex (cujas histórias possuiam apenas dois quadros por página) e em fotonovelas pornográficas de origem sueca.
O nome Carlos Zéfiro foi tirado de um autor mexicano de fotonovelas.
Para o jornalista Gonçalo Junior, os catecismos de Zéfiro não possuem nenhuma relação com os tijuana bibles, quadrinhos eróticos publicados nos Estados Unidos entre as décadas de 1930 e 1950, que usava como protagonistas personagens de desenhos animados, quadrinhos[6] e até celebridades.
Além de seus trabalhos como ilustrador, Alcides Caminha foi compositor, inscrito na Ordem dos Músicos do Brasil e parceiro de Guilherme de Brito e Nelson Cavaquinho, com quem compôs quatro sambas para a Mangueira, entre eles os sucessos: Notícia, gravado por Roberto Silva na década de 1950, e A Flor e o Espinho.
Caminha revelou sua identidade nas páginas da revista Playboy em 1991, após saber que o quadrinista baiano Eduardo Barbosa havia declarado ser o verdadeiro Carlos Zéfiro, Barbosa chegou a desenhar alguns "catecismos", entretanto Caminha foi identificado por Hélio Brandão.
Em novembro do mesmo ano participou da I Bienal de Quadrinhos.
Em 1992 recebeu o Troféu HQ Mix, pela importância de sua obra.
Impacto na cultura popular

Na década de 1980, o quadrinista Sebastião Seabra adotou o pseudônimo Sebastião Zéfiro para não comprometer o trabalho que possuía como ilustrador de livros didáticos.[2]
Seabra conseguiu junto a Editora Maciota que fosse publicado o trabalho de Zéfiro (na época ainda no anonimato), chegou a se especular que os artistas fossem parentes.
O jornalista Geraldo Galvão Ferraz foi um dos primeiros a escrever um artigo sobre Carlos Zéfiro, o cartunista e jornalista Ota publicou um livro sobre o quadrinista, Joaquim Marinho também escreveu um livro sobre Zéfiro.
Após sua morte teve um trabalho publicado como homenagem póstuma em 1997 na capa e no encarte do cd Barulhinho Bom - Uma Viagem Musical da cantora Marisa Monte. Em 1998, as vinhetas de abertura e intervalos do Video Music Brasil 1998, da MTV Brasil foram claramente inspiradas nos folhetins de sua obra.
Em agosto de 1999, em Anchieta, bairro em que morava, foi inaugurada a Lona Cultural Carlos Zéfiro, com show da Velha Guarda da Portela e Marisa Monte. A cantora e o jornalista Juca Kfouri, que revelou a verdadeira identidade de Carlos Zéfiro nas páginas da Playboy, são os padrinhos da Lona Cultural, fundada e dirigida por um grupo de artistas locais, que tinha à frente Adailton Medeiros.
Em 2009, ao fazer uma crítica a corrupção do Senado Federal, o Jornal Extra do Rio de Janeiro publicou uma galeria de imagens inspiradas nos quadrinhos de Zéfiro.
Em Janeiro de 2011, os trabalhos de Zéfiro foram expostos ao lado de outros quadrinhos eróticos do resto mundo no Museu do Sexo, em Nova York.
Em Março de 2011, Zéfiro foi tema da peça de teatro "Os catecismos segundo Carlos Zéfiro" escrito e dirigido por Paulo Biscaia Filho.
Obras
Inicialmente publicado de forma independente (e sendo constantemente pirateado),[3] a partir da década de 1980, os quadrinhos de Zéfiro passaram a ter reimpressões pelas editoras Maciota, Record (revistas editadas por Ota),  Marco Zero, Nos anos 2000, A editora Cena Muda publicou o primeiro quadrinho erótico de Zéfiro, Sara, criado em 1949 no formato 16 x 23 cm, segundo a editora Adda Di Guimarães, a revista é maior que os catecismo, já que a versão original foi publicada em formatinho.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Portal:Conte%C3%BAdo_destacado

Imagens só para adultos:
http://www.carloszefiro.com/buildframe.php?mag=Lagarto&pg=0&pgmax=32&thetitle=O%20Lagarto





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