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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Morte e Vida Severina




Morte e Vida severina é um livro do escritor brasileiro João Cabral de Melo Neto, escrito entre 1954 e 1955 e publicado em 1955.
O nome do livro é uma alusão ao sofrimento enfrentado pela personagem.
O livro apresenta um poema dramático, que relata a dura trajetória de um migrante nordestino em busca de uma vida mais fácil e favorável no litoral.
Em 2012, a pedido do escritor Roberto Freire, diretor do Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (TUCA), o músico Chico Buarque musicou o poema para a montagem da peça. Desde então sua presença no teatro brasileiro tem sido constante.
Essa peça se tornou um sucesso, inclusive recebendo premiação num festival universitário de Nancy na França.


Morte e Vida Severina em Desenho Animado é uma versão audiovisual da obra prima de João Cabral de Melo Neto, adaptada para os quadrinhos pelo cartuinista Miguel Falcão. Preservando o texto original, a animação 3D dá vida e movimento aos personagens deste auto de natal pernambucano, publicado originalmente em 1956.
Em preto e branco, fiel à aspereza do texto e aos traços dos quadrinhos, a animação narra a dura caminhada de Severino, um retirante nordestino, que migra do sertão para o litoral pernambucano em busca de uma vida melhor.







O RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR QUEM É E A QUE VAI

— O meu nome é Severino,
não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zaca.
 [Expandir]
—João Cabral de Melo Neto

TUCA



O TUCA - Teatro da Universidade Católica foi fundado em 1965 com a apresentação da peça Morte e Vida Severina. Tombado pelo Patrimônio Histórico, o teatro conta com palco principal, o tucarena - palco em formato de arena e a Sala Paulo Freire.

Morte e Vida Severina' (1965): o início de uma programação engajada
Criado no clima pós-golpe militar de 64, o local tornou-se conhecido como ponto de encontro de universitários e ativistas políticos, tendo sido cenário de fatos que ficaram na história recente de nosso País. Sua abertura para o público, em grande estilo, no dia 11 de setembro de 1965, com a estréia da peça Morte e Vida Severina, já prenunciava isso. Musicado por Chico Buarque de Hollanda, na época estudante na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade
de São Paulo (FAU-USP), o poema de autoria de João Cabral de Melo Neto ganhou vida no palco do Tuca. “Quando se pensou numa resposta a partir de uma atividade artística, foram procurados profissionais como Roberto Freire, Silnei Siqueira e José Armando Ferrara para compor a direção do grupo Tuca.

Chico Buarque- Morte e Vida Severina


Parte do famoso musical baseado na obra



O desenho animado completo





http://pt.wikipedia.org/wiki/Morte_e_Vida_Severina
http://www.apropucsp.org.br/apropuc/index.php/revista-puc-viva/51-10-divida-externa/1933-tuca-35-anos-um-teatro-em-construcao
http://acessibilidadecultural.com.br/tuca-teatro-da-puc-sp/


Falando de amor- Tom Jpbim (1979)




Música lançada no LP "Miúcha e Tom Jobim Volume II" de 1979 recebeu posteriormente outras gravações como esta de Gal Costa em maravilhosa interpretação.
Tom Jobim (Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim) foi o compositor brasileiro mais famoso dentro e fora do Brasil, na última metade do século XX. Carioca, nascido na Tijuca em 25 de janeiro de 1927. Iniciou seus estudos musicais em 1941 com o professor Hans Joachim Koellreuter, teve  excelente formação musical com os professores Lucia Branco, Tomás Terán, Leo Peracchi e Alceu Boccchino. Formou com Vinicius de Moraes a mais famosa dupla de compositores da moderna música popular brasileira: provavelmente a dupla mais erudita onde Vinícius era mais letrista e Tom mais compositor. Conheceram-se em 1956, através de Lúcio Rangel, no famoso Bar Gouveia, em frente à Academia Brasileira de Letras, quando foi convidado e aceitou musicar a peça "Orfeu da Conceição" de Vinícius de Moraes. Compuseram juntos músicas maravilhosas como "Se todos fossem iguais a você", "Eu sei que vou te amar", "Chega de saudade", "Garota de Ipanema" (uma das músicas mais gravadas em todo o mundo), "A felicidade", "Insensatez", "Canção de amor e paz", "Ela é carioca", "Eu não existo sem você" e muitas outras. Participaram ativamente das músicas de transição entre a fase "dor de cotovelo" e a bossa nova, cujo marco inicial considera-se a música "Chega de saudade", gravada por Elizeth Cardoso no LP "Canção do amor demais" de 1958 com João Gilberto tocando violão com sua batida diferente e característica da bossa nova.   Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim morou muito tempo nos Estados Unidos da América tendo participado de inúmeras gravações com famosos músicos e cantores americanos como Frank Sinatra, Stan Getz, Miles Davis, Quincy Jones, Dizzie Gillespie, Charles Byrd, Sara Vaughn, Ella Fitzgerald e Louis Armstrong. Faleceu dia 8 de dezembro de 1994, aos 67 anos em Nova York.  

http://www.paixaoeromance.com/70decada/falando_de_amor/h_falando_de_amor.htm





quarta-feira, 30 de maio de 2012

Ouça todas as músicas de Elton John

Clique no link abaixo:
                                                                                                                                  Elton John Music Playlist, Elton John Songs at uWall.tv a Wall of Music

terça-feira, 29 de maio de 2012

Machado de Assis, um dos grandes gênios da literatura.



Somos de uma geração que curtiu muito os gibis; aprendemos a ler com os gibis, e era com ansiedade que íamos às bancas de revista comprar as novidades do mês. E a troca de gibis entre os amiguinhos era estimulante. Depois, se aprimorava o gosto com vários livros. Mas, estávamos criando o hábito da leitura. A criança precisa de ajuda e de estímulo para essa iniciação. E isso também na adolescência.
Lembro que na adolescência, tanto eu como meus colegas de aula, perdemos um pouco desse hábito devido os livros que a escola oferecia como padrão: não queríamos os clássicos brasileiros; não queríamos ler por obrigação para fazermos uma resenha. Queríamos a liberdade de escolha, que nos foi negado. Acredito que isso desestimulou um pouco a nós todos. Há que se respeitar o gosto de cada um, e, à escola, cabe analisar as preferências de seus alunos. O mesmo livro para todos os alunos? Foi um desastre; uns perguntavam aos outros a história - e a resenha estava feita! Ninguém aceitava uma leitura imposta.
Foi nesta época que houve um desinteresse da parte de muitos alunos; não tínhamos opção, não tínhamos tempo de ler outras coisas, uma vez que a leitura dos clássicos brasileiros, obrigatórios, tinha prazo para a entrega do trabalho. Para tudo existe uma idade certa, era só ter esperado o amadurecimento dos alunos. 
Desta forma, muitos deixaram de apreciar devidamente as pérolas de nossa literatura como os romances e contos de Machado de Assis. Afinal este brasileiro é considerado por críticos literários do mundo inteiro , como um dos grandes gênios da história da literatura, ao lado de autores como Dante, Shakespeare e Camões.

Joaquim Maria Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21 de junho de 1839 — Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1908) foi um escritor brasileiro, amplamente considerado como o maior nome da literatura nacional. Escreveu em praticamente todos os gêneros literários, sendo poeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista, e crítico literário. Testemunhou a mudança política no país quando a República substituiu o Império e foi um grande comentador e relator dos eventos político-sociais de sua época.

Nascido no Morro do Livramento, Rio de Janeiro, de uma família pobre, mal estudou em escolas públicas e nunca frequentou universidade. Os biógrafos notam que, interessado pela boémia e pela corte, lutou para subir socialmente abastecendo-se de superioridade intelectual. Para isso, assumiu diversos cargos públicos, passando pelo Ministério da Agricultura, do Comércio e das Obras Públicas, e conseguindo precoce notoriedade em jornais onde publicava suas primeiras poesias e crônicas. Em sua maturidade, reunido a colegas próximos, fundou e foi o primeiro presidente unânime da Academia Brasileira de Letras.
Sua extensa obra constitui-se de 9 romances e peças teatrais, 200 contos, 5 coletâneas de poemas e sonetos, e mais de 600 crônicas. Machado de Assis é considerado o introdutor do Realismo no Brasil, com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881). Este romance é posto ao lado de todas suas produções posteriores, Quincas Borba, Dom Casmurro, Esaú e Jacó e Memorial de Aires, ortodoxamente conhecidas como pertencentes a sua segunda fase, em que se notam traços de pessimismo e ironia, embora não haja rompimento de resíduos românticos. Dessa fase, os críticos destacam que suas melhores obras são as da Trilogia Realista. Sua primeira fase literária é constituída de obras como Ressurreição, A Mão e a Luva, Helena e Iaiá Garcia, onde notam-se características herdadas do Romantismo, ou "convencionalismo", como prefere a crítica moderna.
Sua obra foi de fundamental importância para as escolas literárias brasileiras do século XIX e do século XX e surge nos dias de hoje como de grande interesse acadêmico e público. Influenciou grandes nomes das 
letras, como Olavo Bilac, Lima Barreto, Drummond de Andrade, John Barth, Donald Barthelme e outros.[21] Em seu tempo de vida, alcançou relativa fama e prestígio pelo Brasil, contudo não desfrutou de popularidade exterior na época. Hoje em dia, por sua inovação e audácia em temas precoces, é frequentemente visto como o escritor brasileiro de produção sem precedentes, de modo que, recentemente, seu nome e sua obra têm alcançado diversos críticos, estudiosos e admiradores do mundo inteiro. Machado de Assis é considerado um dos grandes gênios da história da literatura, ao lado de autores como Dante, Shakespeare e Camões.

Romances

Ressurreição, (1872)
A mão e a luva, (1874)
Helena, (1876)
Iaiá Garcia, (1878)
Memórias Póstumas de Brás Cubas, (1881)
Casa Velha, (1885)
Quincas Borba, (1891)
Dom Casmurro, (1899)
Esaú e Jacó, (1904)


Memorial de Aires

Itens pessoais de Machado. O livro é Memorial de Ayres (1908), que traz uma dedicatória assinada pelo próprio autor.






http://pt.wikipedia.org/wiki/Machado_de_Assis



Machado & Carolina

Carolina, mulher com quem foi casado por mais de três décadas.
Carolina Xavier de Novais, portuguesa, pertencente a uma nobre família da côrte carioca, casou-se com Machado de Assis em 12 de novembro de 1869. Seu primeiro obstáculo foi justamente, sua família que, inicialmente, não aceitava o fato de o noivo ser mulato e epilético.                                             Machado teve em Carolina a esposa, a enfermeira, a secretária e a redatora. Além de corrigir os erros ortográficos do escritor, ela ainda opinava em seus textos. (quanta responsabilidade!). Como era uma mulher muito culta, através dela Machado conheceu escritores do mundo inteiro e pôde, mais tarde, publicar e divulgar seus romances.                       Ele sempre a escrevia cartas apaixonadas. Numa delas, disse que Carolina não era como as mulheres vulgares que ele conhecia, que seu coração e seu espírito eram prendas raríssimas. Os dois nunca tiveram filhos e dedicaram todo seu amor a uma cadela de nome Graziela. Após a morte de Graziela (outra grande perda), tiveram um outro cão a quem deram o nome de Zero.
Em 1904 morre Carolina Novais, e a vida perde o sentido para o mestre Machado que, desde sua infância mais tenra, só conheceu a dor e o sofrimento causado pela morte de seus entes mais queridos. À carolina, dedicou um belíssimo poema:

A Carolina

Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descansas dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
Que, a despeito de toda humana lida,
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs um mundo inteiro.

Trago-te flores, - restos arrancados
Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa separados.

Que eu, se tenho nos olhos malferidos
Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos.


Machado de Assis morrera quatro anos depois, em 29 de setembro de 1908, sendo sepultado ao lado de Carolina, cumprindo o que a ela havia prometido quatro anos antes. Apesar de todo seu histórico de perdas e sofrimentos e de todo seu pessimismo, pouco antes de morrer suas últimas palavras foram:
                                                               "a vida é boa".

Wikpédia , a enciclpédia livre
http://taisluso.blogspot.com.br/2011/09/o-habito-de-ler.html


Vídeo da biografia de Machado de Assis






segunda-feira, 28 de maio de 2012

Inauguração do programa "Balança mas não cai" na Rádio Nacional (anos 50)

Clique no link abaixo para ouvir

http://www.locutor.info/audioEradeOuro/RadioNacionalBalancaMaisNaoCai.mp3

Sobreviventes dos Andes- Canibalismo que chocou o mundo em 1972



Alvaro Mangino e José Inciarte são dois dos 16 sobreviventes do desastre aéreo ocorrido em 13 de Outubro de 1972, uma sexta-feira, com um avião bimotor " Focker-27 ", um turbo-hélice da Força Aérea Uruguaia que levava um time de rugby do Clube Old Christian Brothers, que caiu na Cordilheira dos Andes, no lado argentino.

Resgatados pelo Exército Chileno em 23/12/1972, chegaram de volta a Montevideo em 28/12/1972, como heróis nacionais, mas depois que confessaram ter comido carne humana dos colegas mortos, muita gente se escandalizou e passou a vê-los como vilões.

Em 8 de julho de 2006, Alvaro e José estiveram num congresso em Bento Gonçalves e fizeram uma palestra contando como foram aqueles dias que passaram entre a vida e a morte no meio de cadáveres congelados e da neve na Cordilheira dos Andes.

A palestra de Alvaro e José foi dividida ao meio. Primeiro falou José por ser o mais velho da dupla (são os únicos que fazem palestras desta maneira).

Eles falaram durante uma hora e l0 minutos e  a atenção da platéia em nenhum momento se esfriou. José contou que o avião saiu de Montevideu e fez escala em Mendoza porque o tempo estava ruim pra atravessar a Cordilheira dos Andes. Era o dia 12/10/1972.

" Nosso resgate e a nossa sobrevivência foi um trabalho de equipe. Tivemos atitude. Saímos vivos depois que concluimos que a coisa dependia de nós", começou dizendo  porque o depoimento deles tem obviamente o viés de ser de auto-ajuda.

No avião iam 45 pessoas (5 mulheres e 5 tripulantes). " Iamos a Santiago jogar uma partida de rugby (futebol norte-americano), diz José que tinha 24 anos em 1972 . Hoje tem 58 anos.

Ao meio-dia do dia 13/10/1972 eles foram levados ao aeroporto de Mendoza e a tripulação do avião  não queria partir, conta José. A pressão dos jovens sobre a tripulação (todos militares dos quais não houve nenhum sobrevivente) foi muito grande. " Ustedes são unos maricones" ( vocês  são uns bichas) diziam os jovens aos pilotos que estavam com medo de atravessar a Cordilheira dos Andes por causa do mau tempo.

Como naqueles tempos o Chile vivia uma crise sem tamanho no governo socialista de Salvador Allende, o avião dos uruguaios levava muito mantimento (o que foi uma grande sorte para sobreviver aos dias seguintes ).


José relata que dentro do avião depois que ele decolou estava tudo tranquilo e os alunos do time de rugby iam se divertindo, jogando " la pelota", prá cá e prá lá dentro da aeronave." Nem dávamos bola pra o que acontecia do lado de fora..."...        

Os passageiros receberam o aviso dentro da aeronave de "apertar cintos" mas segundo José Inciarte, um dos sobreviventes, "ninguém fez caso". Quando o avião - um bimotor Focker-27 - entrou nas nuvensos pilotos (militares) insistiram com os passageiros " sentem-se".

- O avião caiu num primeiro 'buraco' . Foi uma queda braba, brusca, conta José Inciarte. ( Ele teria entrado num 'buraco' de ar quente).

Os jovens puderam ouvir gritos na cabine do avião:
- Da-lhe potência! da-lhe potência! Eram, segundo José, gritos quase que de desespero.

Houve então, conforme José Inciarte, uma 'segunda' queda mas esta bem mais forte . muito maior. Ele relata:
- Das janelas não se via mais nada do lado de fora, uma escuridão total.

Um olha pro outro como que perguntando o que estava acontecendo naqueles instantes decisivos de suas vidas. O próprio José lembra passados 34 anos:
- Eu olhei pros meus colegas.Estavam todos apavorados, ninguém sabia o que estava acontecendo.

Ele foi descrevendo para o auditório que o ouvia naquele sábado (8.7.2006) o que foram os segundos seguintes que se transformaram num inferno.
- Houve uma explosão!

O avião chocou-se contra a montanha. E segundos depois fez-se um silêncio sepulcral. Entra ar no avião. E a neve também vai entrando pelo avião junto com o ar. Depois fica tudo azul, o céu está completamente azul. Segundos depois o avião pára de rolar. Poltronas se desprendem da aeronave e " voam" em direção à cabine. Faz-se segundo relata José um silêncio sepulcral.

Depois os que não morreram na queda , começam a ver cenas "dantescas": ferros retorcidos, gritos, choro, gritos de dor, pedaços de corpos, e cor de sangue por todo lado. A mente dos sobreviventes tem poucos segundos pra se adaptar  à nova realidade. Primeiro não quer crer!
- Caí aqui? Por que aqui?

As primeiras reações são de querer desaparecer, ou querer ajudar os feridos. José tinha então 24 anos. Álvaro, seu colega que está aqui agora neste auditório, quebrou a perna  na queda. Pelos cálculos deles a queda ocorreu entre as 15h30min. Em outubro, naquele dia 13 (por azar uma sexta-feira) na Cordilheira dos Andes a noite caiu por volta de 16h30min.
" A noite caiu de golpe. Fica noite rápido" lembra José.
- Foi a noite mais " eterna" da minha vida. Ela não passava nunca. Uma sensação de frio que dó, vou morrer de frio, pensava José.



Os sobreviventes se abraçam pra não morrer de frio. Não podiam parar cinco minutos senão congelavam. A sensação era que não iria nunca mais amanhecer. Álvaro Mangino, um dos 16 sobreviventes dos Andes, desastre aéreo ocorrido em 13/10/1972 - que ficou célebre porque os sobreviventes comeram a carne dos colegas mortos -  tinha apenas 19 anos quando a tragédia se abateu sobre aquele avião militar, da Força Aérea Uruguaia, um bimotor " Focker 12".Ele descreve a tragédia: "estava sentado na altura da asa do avião". Não recorda do choque do aparelho com a montanha:" percebi que os bancos (do avião) escorreram pra frente", diz.

Álvaro declara que com a queda ficou embaixo de um dos bancos. E relembra em que situação se viram aqueles jovens:- Estávamos a 4 mil metros de altura, a menos de 15 graus de temperatura, num local agressivo, numa situação difícl, com colegas mortos e outros feridos. Suas lembranças - narradas junto com José Inciarte, outro sobrevivente em 08/07/2006 num congresso em Bento Gonçalves - dão conta das conseqüências da queda:

" Quebrei uma perna. Um estudante de Medicina me arrumou a perna. Os ossos se juntaram". O estudante de Medicina hoje é um cardiologista. Quando foi resgatado Álvaro não quis mais que mexessem na sua perna.

" Não vamos quebrar a perna novamente", disse. Álvaro diz que a noite de 13/10/1972 " veio rápido" após a queda do bimotor. Foi um horror. Havia muito medo. Foi a pior noite de minha vida,disse ele. Não passava nunca. Segundo ele, dos 45 passageiros, com a queda restaram 29 sobreviventes. " Vinte e quatro deles estavam saudáveis, apenas com escoriações ou ferimentos leves, coisas pequenas como pernas quebradas". Álvaro relata que os sobreviventes menos feridos pensaram logo em organizar-se, mas que havia a idéia de que seriam localizados logo pelos helicópteros que seguramente iriam procurá-los.

Alvaro Mangino diz que na situação começaram a surgir lideranças entre eles. Quem mostrava mais determinação, empenho diante da situação em que se encontravam. Durante 72 dias que permaneceram ali perdidos nas geleiras dos Andes iriam sentir frio, sede e suportar temperaturas negativas de até 30 graus.

"A capacidade das pessoas é inacreditável. Sempre se pode mais" conclui ele.

Álvaro relata que os primeiros dias foram dedicados a resolver problemas como o da sede que segundo ele dói mais do que a fome. Foram descobrir que a neve não servia pra matar a sede porque ela machuca a boca. Depois de comer neve não se pode engolir mais nada. Diante desta realidade eles concluíram que tinham que "fazer" água de alguma maneira. Tiveram então que aplicar a criatividade diante da situação. E como um deles tinha um isqueiro derreteram neve e fizeram um litro de água. O engraçado, lembrou Álvaro, é que nenhum dos sobreviventes queria queimar a nota de dólar que guardava pra fazer fogo e derreter a neve. Mesmo naquela situãção todo mundo queria economizar as notas de dólar.

Foi o sobrevivente de nome Adolfo que achou a solução pra fazer água. Botavam neve numa chapa de alumínio e derretia com o sol. Formou-se uma pequena equipe em torno deste objetivo- fazer da neve água - e o lema criou-se na hora" um por todos, todos por um", todos trabalhavam pra todos...

O drama dos Sobreviventes  dos Andes prossegue e eles viram que começar era fundamental. Nos destroços do avião acharam um "fiozinho"e através dele puderam sintonizar uma rádio de Montevideo, de onde tinham vindo. Ao conseguirem sintonizar as rádios de sua capital, se enteiraram de que as buscas deles haviam sido canceladas.

A sua situação era esta: estavam a dois mil quilômetros de casa, no meio dos destroços do avião, na neve, sem comida e seguramente alguns já estavam pensando que fatalmente iriam fazer aquilo que depois escandalizou o mundo, comer a carne dos colegas que haviam morrido na tragédia.

Os sobreviventes não tinham consciência  de onde estavam. Pensaram até o fim que tivessem caído do lado chileno da Cordilheira quando na verdade estavam em território argentino. Após dez dias da tragédia haver ocorrido, eles não mais observaram helicópteros a sua procura como ocorrera nas primeiras 72 horas. E alguns deles começaram a raciocinar:" ou nós vamos partir em busca de socorro ou vamos morrer fatalmente todos".


Nos primeiros 5, ou 6 dias, comeram chocolates - que levaram porque no Chile havia poucos provimentos - mas depois a comida  começou a escassear e finalmente terminou.

José Inciarte, o mais velho dos dois sobreviventes lembra que o choque do avião com a montanha deve ter se dado quando a velocidade estava a cerca de 400 km/hora. Mesmo assim, dos 45 passageiros, 29 ficaram vivos. Destes 24 totalmente  inteiros e cinco com pequenas lesões.

No começo da primavera na Cordilheira dos Andes - outubro - o sol,ainda tímido, conseguiu produzir  um litro de água que eles tiraram da neve. José Inciarte vai relatando que não havia a quem recorrer. Durante o dia , conta ela, só se avistava um condor que voava alto.

E José vai preparando a atenta platéia que o escuta segurando a respiração para a descrição  - que  ele faz quase de forma religiosa - de como chegaram a conclusão de que fatalmente  comeriam os colegas mortos. Não se viam mais helicópteros a sua procura , apenas condores que passavam sobre suas cabeças.

À noite para fugir do frio sempre negativo, se escondiam dentro da fuselagem do avião. Começaram então a ficar sem alimentos, sem os chocolates, sem os licores. Começaram a olhar para os corpos dos mortos, conta José...

Faz-se um silêncio sepulcral enquanto José Inciarte começa a descrever para a platéia a decisão de comer os colegas mortos. "Se não comer meus colegas, eu morro  dentro do avião" raciocinavam os sobreviventes. Contra ou a favor?Tem que tomar uma decisão mas a mão não obedece, relata José.

Quando a mão começa a obedecer, é a boca que não se abre...
É a força do preconceito, do tabu... diz ele.

Depois de ter comido carne humana, José diz que virou uma pessoa religiosa." Hoje eu vivo em você" raciocina ele, a respeito da carne do colega que foi comida pelos sobreviventes  para poderem se manter vivos...É o amor mais grande que pode existir. Não existe maior ato de grandeza, de comunhão, diz José Inciarte.

No local a temperatura alcançava os 30 graus negativos. Entre eles o assunto comer carne humana seria um assunto do qual não se falaria mais. A situação era esta: dados por mortos, no meio das montanhas ninguém mais iria procurá-los. O outro colega que falou no evento - Álvaro Mangino - disse que ter comido carne humana foi uma " grande humilhação", mas justificou dizendo que sentiam " grande vontade de viver".

Eles saíam assustados do avião que lhe servia de abrigo. Cada dia era uma luta. Todos rezavam no avião. Havia riso,alegria,contavam piadas, dormiam durante 10 minutos pra não congelar devido ao frio muito intenso. Só havia uma mulher entre os sobreviventes. Ela tinha 35 anos e quatro filhos. " Ela foi uma mãe para nós" diz Álvaro Mangino,agradecido.

A Avalanche

Uma das piores coisas que aconteceu aos sobreviventes dos Andes foi uma avalanche(de neve) ocorrida,segundo José Inciarte, no dia 29 de outubro de 1972, 13 dias depois que eles estavam perdidos nas neves dos Andes.

Deixemos que Álvaro Mangino conte: " O pessoal delirava. Falava em comida. Ficavam todos babando...uns diziam que queriam voltar ao Uruguai. O que cada um fazia era pensando na família..." O dia da avalanche era um dia encoberto e havia muita depressão dentro do avião. Os feridos estavam em macas penduradas. " Senti tudo tremer. Entrou uma avalanche de neve. Os amigos estavam soterrados."

José Inciarte acha que neste dia " viu a morte". Desejou que ela o tirasse daquele sofrimento. " Tínhamos que buscar um sentido pra aquilo tudo. Seria um tremor de terra? Entraram toneladas de neve no avião. Ele sentiu uma grande angústia e depois diz que entrou num estado que classifica como de "paz". Me senti feliz, achei que ia encontrar com meu pai que é falecido". Ele acha que neste momento " quase se entregou e que viu a cara da morte", mas reagiu pensando que se existe vida tem que lutar por ela, tem dar-lhe um sentido. A conseqüência da avalanche de neve sobre o ânimo dos sobreviventes foi aterradora." Os dedos sangravam" conta José Inciarte, alguns morreram de gangrena.
- Nesta situação a morte não é castigo,diz ele.

Os sobreviventes ficaram deprimidos e a depressão é contagiosa,relata ele. Eles ficaram 3 dias e 3 noites nesta situação.Como decorrência da avalanche morreram sete homens e uma mulher. No terceiro dia depois da catástrofe não fazia muito frio e eles saíram do avião por um buraco. Encontraram a paisagem toda branca. " Nós parecíamos uns animais" relata José Inciarte. Neste exato momento, os sobreviventes dão-se conta que precisavam buscar socorro. E como o farão, o leitor ficará sabendo em seguida.

O Resgate

O resgate dos Sobreviventes dos Andes foi possível graças ao " arrieiro" (condutor de mulas) Sérgio Catalan Martinez. ( Depois ele viajou junto com os 16 sobreviventes até Montevideu). Álvaro Mangino conta que a decisão de sair à procura de socorro levou 3 dias pra ser tomada.Ela envolveu a organização, a determinação, a base, e ainda se sairia para Oeste(direção chilena) ou Este.

No dia 11 de dezembro morreu o último sobrevivente (antes do resgate). O mecânico do avião estava vivo, os pilotos mortos e muitos estavam com gangrena. Na cauda do avião descobriram uma  mala cheia de cigarros que estavam sendo levados pro Chile porque lá havia escassez de tudo.

José Inciarte também pegou gangrena depois de ficar 3 dias e 3 noite na neve. Finalmente, no dia 11 de dezembro de 1972 partiram alguns sosbreviventes(dois) em busca de socorro. Sabiam depois de vários dias que os dois que partiram em busca de socorro - Roberto Unta e Fernando Dogay - encontraram o arrieiro. Do outro de um rio ele recebeu um papel com a seguinte mensagem:

- Venho de um avião que caiu na montanha. Somos uruguaios.há dias que caminhamos. No avião ficaram 14 pessoas feridas. Temos que sair rapidamente porque não temos o que comer e não podemos caminhar.

Depois de alguns dias  de caminhada um dos sobreviventes retorna. José conta que estes dias que os colegas estiveram foram foram os mais angustiantes. Muitos dos sobreviventes já não queriam viver. Pelo rádio escutavam Montevideu e ouviam os jingles comemorando a chegada do Natal. E eles ali perdidos. Quando ficaram sabendo que haviam sido localizados começaram a se arrumar para serem resgatados. As 12h45min ouviram pela primeira vez os roncos dos helicopteros que eles esperavam desde as 7 horas da manhã.

"Havíamos conhecido Deus nos homens" diz José. O som dos helicópteros lhes parecia um som terrível e muitos estavam traumatizados de que estes mesmos helicópteros passassem ali e não os visse.

Mas quando viram as jaquetas vermelhas dos soldados entenderam que estavam sendo salvos. A conclusão de José é que o ser humano "sempre pode mais". Eles foram resgatados na manhã do dia 22 de dezembro de 1972, uma sexta.No final deste realto feito em 08/07/2006, em Bento Gonçalves, lhe pergunto duas coisas: primeiro se andam de avião, me disseram que sim e até riram da minha pergunta.Minha outra pergunta foi se a tragédia lhes havia mandado recado.Aí ficaram mais sérios.Álvaro Mangino, um dos dois, apenas contou esta historinha:" quando haviam descido em Mendoza, na Argentina, por causa do mau tempo,no dia seguinte foram ao aeroporto e José Inciarte levou junto uma namoradinha que havia arrumado ali. Ela foi até o local do embarque. A namoradinha argentina ficou séria na hora da despedida e profetizou: " este avion se vá a caer..."

Da tragédia cabe lembrar:
1) na queda morreram 8 pessoas;
2) 21 pessoas morreram durante o período que ficaram perdidos e
3) 16 sobreviveram.

Os sobreviventes tiveram que explicar muito em Montevideu porque comeram carne humana, dos colegas, e por isto muita gente os via como bandidos.

Há um filme sobre este assunto e vários livros relatam o caso.

A volta da delegação a Montevideu se deu na noite de 28 de dezembro de 1972. Duas coincidências: pelo Correio do Povo, de POA, foi feita a cobertura tendo como enviado especial o counista Antônio Holfeldt e o colunista de ZH, Olyr Zavaschi estava em Montevideu quando eles chegaram.

A tragédia deu-se num avião Focker-27, um turbo-hélice da Força Aérea Uruguaia. Era um time de rugby que ia a Santiago do Chile jogar uma partida.

Eram 18 jogadores e o restante familiares. A idade entre 18 e 20 anos. Eles ficariam uma semana no Chile, e por isto levaram mantimentos que depois foram muito úteis na queda do avião. O local onde cairam se chama " Los Maitanes" e possui 4 mil metros de altura e fica do lado da cordilheira que pertence a Argentina. Todos pensavam que eles tivessem caído no Chile, inclusive as equipes de buscas.

Como curiosidade final: a queda do avião deu-se numa sexta e  o resgata dos sobreviventes também foi efetuado numa sexta.

http://www.deolhoseouvidos.com.br/artigos/sobreviventes.htm


domingo, 27 de maio de 2012

Barbra Streisand - Free Again. Nas paradas em 1966

Uma homenagem ao Dr. Antonio Lazarin


Dr. Antonio Lazarin
Hoje, 27 de Maio, ele completaria 92 anos. Pessoa humilde e do campo, ao perder a mãe com 10 anos de idade, veio com a família para Catanduva, onde, iniciou-se sua alfabetização.
Trabalhou como auxiliar de barbeiro, farmácia e contabilidade. Com o tempo tornou-se, meteorologista, contador, fiscal de rendas, advogado e professor universitário. Especialista em tributos escreveu um livro inédito para a época, “Introdução ao Direito Tributário”.
Tinha como princípio de vida e alicerces para a boa formação do homem e da família, a tríade, trabalho, educação e religião.
Foi casado com Da. Leonor Melzemite Lazarin durante 53 anos e tiveram 7 filhos, Maria Helena, José Luis, Marco Antonio, Paulo Roberto, Bosco Domingos, Maria Cecília e Marta Maria.

Este é um pequeno pedaço da história de Catanduva que gentilmente abraçou nossas famílias.

Através de um projeto encaminhado à Camara Municipal de Catanduva pelo vereador Nelson Lopes Martins, em 08-09-2009, foi aprovado e concedido os nomes de Antonio Lazarin e Leonor Melzemite a duas ruas no parque Jose Curi, imortalizados devido as expressivas contribuições e ações á comunidade catanduvense. Nelson Lopes Martins, agradeço em nome de toda minha família e que muito nos honra sua iniciativa e realização do projeto.

Postado por Paulo Roberto Lazarin no Facebook

sábado, 26 de maio de 2012

Inauguração do Estádio do Morumbi em1960




ESTÁDIO CÍCERO POMPEU DE TOLEDO
       O Sonho do Morumbi cabe ao São Paulo Futebol Clube ser o proprietário do maior estádio particular do mundo. Durante as décadas de 50 e 60, o clube superou grandes dificuldades para erguer o "Gigante do Morumbi". Nos idos da década de 40, surge a idéia de construir um grande estádio para o Tricolor.

       O São Paulo possuía então um grande time e conquistas expressivas, mas nenhum patrimônio, a não ser um terreno no Canindé. A finalidade da então diretoria era transformar um grande time num grande clube. Em 1942, com a compra do Canindé, o sonho do grande estádio chegou a ser passado para o papel, num anteprojeto, mas foi atrapalhado pela Prefeitura: o traçado da Marginal Tietê cortaria o terreno do São Paulo e o anteprojeto teve que ser abandonado. Aventou-se a idéia de trocar o Canindé por uma área maior, no Ibirapuera, no local onde atualmente é o Parque do Ibirapuera, mas o então vereador Jânio Quadros liderou uma campanha contra e a Câmara Municipal não aprovou.

       Abandonada esta idéia, no ano de 1951, dirigentes do São Paulo percorreriam a cidade em busca de um terreno compatível com as suas ambições - construir o maior estádio particular do mundo. E foi assim que no final de 1951 encontraram uma área no Jardim Leonor (ou Morumbi), na região sul de São Paulo. A idéia de constuir um estádio numa area tão distante da cidade - na época, o Morumbi era um bairro praticamente desabitado - viraria piada entre os grandes clubes da capital paulista. Ninguém acreditava que a idéia sobreviveria, mas sobreviveu.
       O primeiro passo foi tentar adquirir o dito terreno de 145.000 metros quadrados. Em dezembro de 1951, a prefeitura de São Paulo doou uma parte do terreno, sendo a outra parte comprada pelo clube. No dia 15 de agosto de 1952, o então presidente do clube, Cícero Pompeu de Toledo, assinou a escritura dando posse ao São Paulo FC do terreno e a edificação do sonho começou naquele mesmo dia com o lançamento da pedra fundamental. Para erguer o gigantesco estádio, a diretoria são-paulina encontrou muitas dificuldades, pois o dinheiro empregado saiu do próprio clube.
       Iniciava-se ali uma nova fase para o São Paulo. O terreno no Canindé foi vendido para a Associação Portuguesa de Desportos e o dinheiro foi todo revertido em material de construção. Todo o resto da receita do clube também foi investida na construção do estádio, enquanto o time de futebol ficou em segundo plano. Para levantar o dinheiro necessário, o São Paulo usou de todos os recursos que dispunha, inclusive vendendo jogadores.


      A abertura oficial do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, nome dado em homenagem ao então presidente do clube, aconteceu à 2 de outubro de 1960, numa partida entre São Paulo e Sporting Club de Portugal, com menos da metade do anel superior completo (apenas 30 dos 72 vãoos estavam completos). Mesmo com o estádio inaugurado, o sonho ainda não estava concluído. Este seria o mais longo período de sacrifícios que se poderia imaginar. Mais 10 anos foram consumidos para a obra ser terminada. Era uma época em que "mais vale um tijolo do que um jogador", para terminar o estádio. Após quase vinte anos de obstáculos inimagináveis superados, foi concluído o tão sonhado estádio. A inauguração completa aconteceu em 25 de janeiro de 1970. Neste dia o São Paulo empatou em 1 a 1 com o Futebol Clube do Porto. O Morumbi foi o primeiro estádio brasileiro a adotar traves arrendondadas, atualmente padrão oficial no mundo todo. O volume de concreto usado para construir o Estádio Cícero Pompeu de Toledo foi de 50 mil metros cúbicos. Daria para construir 90 prédios de 10 andares cada, com dois apartamentos de 150 metros por andar. O consumo de sacos de cimento (400 mil unidades) corresponde a 3200 caminhões de seis toneladas carregados. Ou, se colocados um ao lado do outro, estaria coberta a distância entre São Paulo e Belo Horizonte. A quantidade de ferro usada chegou a 6 mil toneladas. Se toda essa quantidade fosse soldada de ponta a ponta, na bitola 318, uma ponta ficaria em São Paulo e a outra em Lisboa, Portugal. 


As festividades inaugurais do estádio alcançaram brilhantismo invulgar para esta obra monumental que o São Paulo F.C. entregou ao Desporto Nacional. Viveu a 2 de outubro de 1960 o esporte brasileiro um dos seus dias mais notável e histórico. Prestigiando a festa máxima dos tricolores, além do numeroso público que lotava completamente suas dependências, estavam presente altas autoridades do país, do Estado, Município e inúmeros próceres dos esportes nacional e internacional.



Antecedendo ao embate futebolístico programado entre o São Paulo Futebol Clube e o Sporting Clube de Portugal para a comemoração do evento, foi precedida pelo Cardeal Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta a benção do estádio, após o que hastearam-se as bandeiras do Brasil e de Portugal sob os acordes dos respectivos hinos nacionais.

Em seqüência às solenidades, soaram os clarins da Banda da Força Pública, dando "toque de silêncio" como homenagem póstuma a Cícero Pompeu de Toledo, que foi o pioneiro da monumental concepção. Foi o ponto comovente das solenidades. Um ato emocionante. Os são-paulinos evocaram naquele momento a figura notável de seu saudoso presidente, o iniciador da magnífica realização que o São Paulo F.C. entregou a cidade de São Paulo e ao Brasil. Seguindo-se ao momento altamente emotivo, ouviu-se o apito do árbitro, Sr. Olten Ayres de Abreu, dando por iniciada a peleja internacional.


http://www.pinheiros.com.br/city/morumbi/estadio.htm  










quinta-feira, 24 de maio de 2012

Voltando a falar em fotonovelas- Maria Antonietta


Atendendo ao pedido de um (a) visitante do Blog, estou postantdo sobre dois atores consagrados das antigas fotonovelas: Max Delys e Maria Antonietta



Beatrice Tenore, aliás Maria Antonietta, nasceu em Roma, em 06/02/1955.
Estava na Universidade no curso de Arquitetura, quando chega a Lancio em 1976 e lá ficou por 10 anos. Sua primeira fotonovela foi na revista Kolossal de outubro de 1976, com Marina Coffa e Franco Dani. No mês seguinte faz sua estreia na Lucky Martin. Em pouco tempo passa a ser a protagonista. Interpretou 264 histórias, das quais 241 foi a atriz principal.

Tinha um único irmão, Stefano, que nos anos 80 apareceu algumas vezes fazendo pequenos papéis nas fotonovelas da Lancio.
Teve um namorado igualmente famoso: Franco Califano, que protagonizou várias fotonovelas na década de 60.
Maria Antonietta, morreu muito nova, ainda na década de 80.As informações sobre a causa de sua morte são vagas. Dizem que ela morreu vítima de acidente automobilísitico.
 A última fotonovela em que atuou data de 1986.

http://marcellaitaly.blogspot.com.br/2011/09/maria-antonietta.html









Veja mais sobre fotonovelas neste Blog:


http://clubedosentasdecatanduva.blogspot.com.br/search?q=fotonovelas

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Voltando a falar em fotonovelas- Max Delys




Vamos falar um pouco sobre ele e o fim triste que teve, assim como Franco Gasparri, Paolo Rosani, ele tambem faleceu muito jovem.



Um pouco de sua historia:



Max Delys nasceu em Cannes, na França, em 11 de julho de 1951... Tinha duas irmãs, Myriam, a mais velha, e Michelle, a caçula... Seu pai era médico.
Além do francês, sua língua madre, Max falava correntemente o italiano e o inglês. Era também um excelente nadador e com apenas 15 anos de idade, foi o segundo colocado no Campeonato Nacional Francês de Estilo Livre nos 100 metros.

Aos 17 anos ele decidiu sair de casa com destino à Roma em companhia de sua namorada, Dominique... Queria ser ator. Mandou então uma carta para seus pais, sem colocar o endereço, e avisando sobre seus planos. Os primeiros tempos foram bastante difícieis, até que conseguiu fazer a sua primeira aparição no cinema, no filme “La Monaca de Monza”. Depois desse filme, novas chances não apareciam e Max decidiu ir prá Nova York estudar no famoso Actor’s Studios.
Acabou participando de vários filmes, mas declarou, anos depois, que as fotonovelas lhe deram muito mais satisfação e popularidade que o cinema. E isso, apesar de, no início ele não sentir nenhum entusiasmo em ser um foto ator.
Entre os filmes que participou estão: “Gangster Law”, em 1969 / “L’Amour”, em 1973 / Pane e Cioccolata”, também em 1973 / “La Nottata”, em 1974 / “Viene, Viene Amore Mio”, em 1975 / “Liberi, Armati e Pericolosi”, em 1976... Aliás, após fazer esse filme, ao lado de Eleonora Giorgi, ambos viveram um longo romance. E Eleonora, anos depois, se casou com Massimo Ciavarro, de quem se divorciou há pouco.



Em uma entrevista dos anos 70, quando estava no auge do sucesso, perguntaram à Max qual era o seu maior desejo... E ele respondeu: ter uma vida longa! Infelizmente, seu desejo não re realizou, pois Max Delys faleceu com pouco mais de 30 anos de idade, na década de 80. Algumas fontes indicam como causa um acidente e outras dão conta de que ele faleceu “vítima da doença que estava dizimando toda uma geração”.
Max esteve na Lancio por um período de 10 anos e interpretou 351 fotonovelas, das quais só não foi o protagonista em duas.
A sua primeiríssima aparição numa fotonovela foi em março de 1973, na história “"Due Ragazze che Amavano Johnny", história que conta com a participação dos maiores astros da Lancio à época e onde Franco Gasparri interpreta o ilusionista Johnny. Max atuou ao lado de Paola Pitti.
Em maio daquele mesmo ano já interpretava o seu primeiro protagonista em “Questo Piccolo Grande Amore”, ao lado de Katiuscia.
Ao longo de sua carreira atuou ao lado de todos os grandes astros e estrelas da Lancio e sua última fotonovela foi “E Un Giorno Mi Amerai”, em junho de 1983, ao lado de Maria Antonietta.
 Carminha Paukoski

http://carminhapaukoski.blogspot.com.br/2010/12/max-delys-um-dos-meus-preferidos-atores.html

Outra fonte de informação sobre a causa da morte dele:

A causa de sua morte não foi esclarecida. Há uma especulação de que tenha sido drogas.
http://marcellaitaly.blogspot.com.br/2010_05_01_archive.html


Cenas de filme com participação de Max Delys




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Voltando a falar em fotonovelas




A fotonovela apresenta uma narrativa que utiliza em conjunto a fotografia e o texto verbal. Como nas histórias em quadrinhos desenhadas, cada quadrinho da sequência corresponde a uma cena da história, no caso, corresponde a uma fotografia acompanhada da mensagem textual.
São, em geral, publicadas no formato de revistas, livretos ou de pequenos trechos editados em jornais e revistas, e algumas são divididas em capítulos que, geralmente, têm um desfecho próprio, uma espécie de cliffhanger, que cria suspense e curiosidade no leitor, levando-o a comprar a continuação.

As melhores que li foram as histórias de fotonovelas italianas.

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Nara, uma mulher de opinião


Nara, uma mulher de opinião


São Paulo – “Meu ilustre marechal/ dirigente da nação,/ não deixe, nem de brinquedo,/ que prendam Nara Leão.” Com versos assim, o poeta Carlos Drummond de Andrade saía em defesa da jovem Nara Leão, que lançou seu primeiro LP justamente no ano do golpe, em 1964, quando o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco iniciava o ciclo dos militares presidentes. Ainda naquele ano, em viagens pelo país, a moça de Copacabana – ficaram famosos os encontros musicais em seu apartamento – conhece os trabalhos de gente como Caetano Veloso e Maria Bethânia. Anuncia um rompimento com a Bossa Nova e lança o segundo disco, “Opinião de Nara”, que vai inspirar o célebre espetáculo “Opinião”, dirigido por Augusto Boal, que tem Nara ao lado de Zé Kéti e João do Vale. “Podem me prender/ Podem me bater/ Podem até deixar-me sem comer/ Que eu não mudo de opinião/ Daqui do morro eu não saio, não.”

Nara Leão completaria 70 anos neste 19 de janeiro, mesmo dia em que se relembram os 30 anos da morte de Elis Regina. Não eram amigas, percorreram caminhos diferentes na música brasileira e, cada uma a seu modo, marcaram época. Capixaba que aos 2 anos foi para o Rio de Janeiro, Nara morreu em 1989, aos 47 anos, após uma longa batalha contra um câncer no cérebro. Para lembrar o aniversário da mãe, Isabel Diegues (filha de Nara e do cineasta Cacá Diegues), pôs no ar o site www.naraleao.com.br, com galeria de fotos, uma cronologia detalhada, a discografia (que pode ser ouvida) e documentos da cantora. “E esse é o meu presente: compartilhar sua obra para que todos possam se deliciar, ouvir e pesquisar à vontade”, disse Isabel na rede social Facebook, há alguns dias.

Tinha voz suave, mas falava firme. Foi em 1966 que Nara concedeu uma entrevista que causou repercussão, ao criticar o governo dos militares. A manchete do Diário de Notícias foi: “Nara é de opinião: esse exército não vale nada”. E foi o ano da consagração popular, quando interpretou “A Banda”, de Chico Buarque, no festival da TV Record, que causou agitação no país pela disputa com “Disparada” (de Geraldo Vandré e Theo de Barros), interpretada por Jair Rodrigues. No final, as duas composições foram declaradas vencedoras, por insistência de Chico. Ele e Nara dividiram durante alguns meses a apresentação do programa “Pra ver a banda passar”, também na Record. Pelo comportamento diante das câmeras, chegaram a ser considerados “desanimadores” de televisão.

Em 1968, quando o regime radicalizaria com o AI-5, Nara participou das manifestações contra o governo, protestou publicamente contra a morte do estudante Edson Luís, no Rio de Janeiro, e fez parte do disco “Tropicália ou Panis et Circenses”, cantando “Lindoneia”, de Caetano. Era um período de radicalização até na música, com direito a passeata contra as guitarras elétricas na MPB (para alguns, mais um ardil publicitário do que uma manifestação de fato), movimento condenado por Nara Leão. No final de 1969, ela vai com Cacá Diegues para o auto-exílio, na França. O casal retorna ao Brasil em 1971.

Os problemas de saúde foram descobertos em 1979, Nara vai alternar momentos de saúde bons e instáveis durante os dez anos seguintes. O último show foi em Belém. Morreu no Rio, em 7 de junho de 1989.

A primeira faixa de seu primeiro LP foi “Marcha da Quarta-feira de Cinzas”, de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes: “E no entanto é preciso cantar/ Mais que nunca é preciso cantar/ É preciso cantar e alegrar a cidade”.

http://www.naraleao.com.br/index.php?p=galeria
finsophia.com/2012/01/20/nara-uma-mulher-de-opiniao/








terça-feira, 22 de maio de 2012

Apesar de você, um hino contra a dtadura


Essa música é considerada um verdadeiro hino contra a ditadura militar que governou o Brasil de 1964 a 1985. Genial, como de costume, fala exatamente da falta de liberdade que se vivia no país. Como já era de se esperar, a música foi censurada pela ditadura. A canção foi lançada originalmente num disco de título Chico Buarque, no ano de 1978.

Apesar de você...

Apesar de você
Chico Buarque
Amanhã vai ser outro dia 
Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão.

 Apesar de você
amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar.

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro.

Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
de “desinventar”.
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar.

 Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria.
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença.

E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
antes do que você pensa.
Apesar de você

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia.
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você
Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc e tal,
La, laiá, la laiá, la laiá...

"Apesar de Você" é uma canção escrita e originalmente interpretada pelo cantor e compositor brasileiro Chico Buarque em 1970, lançada inicialmente como compacto simples naquele mesmo ano. A canção, por lidar implicitamente com a falta de liberdades durante a ditadura militar, foi proibida de ser executada pelas rádios brasileiras pelo governo do general Emílio Garrastazu Médici. No entanto, seria liberada oito anos mais tarde, durante o final do governo de Ernesto Geisel. Além disso, a cantora Clara Nunes, que regravou a canção sem saber de seu tema implícito, viu-se obrigada a se apresentar nas Olimpíadas do Exército de 1971 para compensar o mal-entendido.
As consequências quase resultaram num envolvimento maior da cantora com problemas referentes à política da época.







http://pt.wikipedia.org/wiki/Apesar_de_Voc%C3%AA








domingo, 20 de maio de 2012

The Hollies



The Hollies é uma banda britânica de rock and roll formada no princípio dos anos 1960. Eles foram contratados pela Parlophone em 1963 como colegas de selo dos Beatles, e lançaram seu primeiro álbum nos Estados Unidos em 1964 durante a primeira leva da Invasão Britânica. Eles são comumente associados a Manchester, pois vários de seus integrantes originais vinham da cidade e de comunidades vizinhas. Em 2010 a banda entrou para o Hall da Fama do Rock and Roll.

Nos tempos da Jovem Guarda o rock n' roll brasileiro ainda estava engatinhando e as versões de músicas de bandas famosas tomavam conta das paradas de sucesso. Na maioria das vezes as letras em português não tinham nada a ver com a composição original, mas a ideia da mesma tendia a permanecer.
Um exemplo disto é a música Pensando Nela, gravada pelos Golden Boys em 1967. Ela é uma versão de Bus Stop, gravada em 1966 pela banda The Hollies.




Música antológica da banda. Balada original de Kelly Gordon, de 1969, seria regravada pelos The Hollies no final desse ano, fazendo dela uma enorme sucesso.



1974











Quem foi este simpático senhor da marca Quaker?


Dificilmente alguém nunca viu um simpático senhor de cabelos brancos e chapéu estampado nas embalagens de cereais, aveias, barrinhas de granola, chocolate em pó e muitos outros produtos que fizeram e continuam fazendo parte do universo matinal em milhões de casas pelo mundo afora. Afinal, a marca QUAKER OATS sempre esteve presente na primeira e mais importante refeição do dia para milhões de pessoas em todos os continentes.

E quem foi este simpático senhor?

Eu pesquisei um pouco, e para quem não sabe, ele simplesmente não existe, não é uma foto ou uma pintura de alguém especifico.
Motivo: o próprio nome Quaker.
Não é o nome de uma pessoa, e sim de uma comunidade religiosa inglesa que foi fundada lá pelo século 17 por um sapateiro chamado George Foz, que para fugir da perseguição pela intolerância religiosa, vieram pros EUA.
 Mais ou menos 1887, um grupo de comerciantes liderado por Fernando Shumacher (que o sobrenome significa sapateiro btw), tiveram a idéia de comercializar a aveia laminada e popularizar seu uso como como um alimento natural.
Com a marca patenteada, resolveram criar o desenho de um homem de chapéu que lembra um religioso Quaker, mostrando que aquele alimento tinha os valores de integridade, honestidade e pureza defendido pela religião.
Porém antes o desenho era com o homem de cara fechada, ranzinza, assustando as pessoas ao invés de ser um desenho convidativo.
A Solução? Em 1946 o artista gráfico, Jim Nash, salvou o produto, colocando esse sorrizinho mais lindo na fisionomia deste simpático senhor.

http://mundodasmarcas.blogspot.com.br/2006/05/quaker-oats-alimentao-saudvel.html
wittercomhumor.com/2011/01/o-velho-da-aveia-quaker/  

Esta marca sempre  fez parte de nossas mesas desde crianças. 
Vamos rever antigos comerciais desta marca?
Para assistir, clique nas telinhas abaixo

O Pioneiro em 1958