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terça-feira, 9 de agosto de 2011

A Pílula da Revolução Cubana - Por Thiago Baccanelli


Em nosso país, assim como na maioria dos países de Terceiro Mundo, os métodos contraceptivos modernos, com ênfase para a pílula anticoncepcional, fez parte de políticas internacionais voltadas para a redução da população.
Aqui vale fazer uma diferenciação entre os países de Terceiro Mundo e os países europeus: enquanto nos primeiros, buscava-se uma diminuição da natalidade, nos segundos pregava-se o aumento da taxa de natalidade por conseqüência da Segunda Guerra Mundial, que deixou uma lacuna muito grande no número de pessoas. Assim, enquanto em alguns lugares, como a França, a pílula só foi liberada em 1967, no Brasil, ela, juntamente com o DIU, já foi sendo comercializada sem entraves desde o início da década de 1960.
As propagandas do novo contraceptivo vinham acompanhadas de dados preocupantes sobre o perigo da superpopulação no mundo.
Esse “perigo”, alarmado pelos EUA, teve uma relação muito próxima com a Revolução Cubana, de 1959. A partir dela, os EUA passaram a considerar a América Latina como um “continente explosivo”, grande campo para a propagação comunista. Eles acreditavam que com o grande crescimento das populações de Terceiro Mundo, com destaque para a América Latina, e como conseqüência uma maior pobreza, seriam grandes as chances de levantes comunistas.
Porém, na prática o que aconteceu foi totalmente o inverso: ao invés da instalação de regimes comunistas, o que se percebe na América Latina nos anos de 1960 e 1970 são implantações de ditaduras militares, totalmente voltadas para a direita, e que em alguns casos receberam apoio do próprio EUA.

Por consequência da Revolução Cubana de 1959, a pílula anticoncepcional ganhou cada vez mais mercado em países do Terceiro Mundo. Na foto, Ernesto Guevara e Fidel Castro

As controvérsias

A questão da natalidade não surtiu efeitos pacíficos em nosso país, onde podemos encontrar dois grandes grupos, um em oposição ao outro: de um lado, os “anti-natalistas”, que buscavam um projeto de desenvolvimento para o país, dentre as quais as exigências encontrava-se a redução da natalidade como parâmetros de país desenvolvido, além da crença de que com o crescimento demográfico tão observado, a economia teria dificuldades em manter altas taxas de crescimento; de outro lado, tínhamos os “anti-controlistas”, que pregavam a ocupação de espaços vazios, defendendo que a soberania nacional dependia da presença de brasileiros em todas as regiões do país. Esse último grupo era formado por militares, alguns grupos feministas e vários setores da Igreja Católica.
Vale lembrar que o Estado nunca interviu diretamente para o controle da natalidade, porém atuaram no país várias sociedades civis internacionais, como por exemplo, a IPPF – International Planning Parenthood Federation, que a partir de 1965 veio a financiar a Sociedade Civil Bem-Estar Familiar no Brasil.

Liberdade para a mulher

Várias pesquisas têm apontado que os modernos meios contraceptivos foram responsáveis por grandes mudanças na relação de gênero e pela própria atuação das mulheres no mundo.
A própria sexualidade da mulher recebeu mais espaço e prazer, antes restrita a destreza masculina com o coito interrompido ou com o uso do preservativo.
O objetivo desta matéria não é defender ou criticar o uso de pílulas anticoncepcionais, mas sim mostrar que algumas coisas pequenas, como a pílula em si, trouxe grandes mudanças significativas, tanto no modo de pensar, como em uma série de fatores dentro de nossa sociedade. Além disso, tentei demonstrar como que políticas internacionais acabam fazendo parte de nossa vida, e dessa maneira, de nossa história local.
De acordo com afirmações de Françoise Thébaud, “a utilização de métodos modernos de contracepção não liberta apenas as mulheres de gravidez indesejadas; ela dá-lhes, em detrimento dos homens, o domínio da fecundidade e deve ser colocada no mesmo plano que as modificações do direito civil que, na mesma altura, põem termo à sua subordinação na vida privada”.

Já na Europa a questão era diferente: ao invés de segurar a taxa de natalidade, tinha-se a necessidade de grande procriação por causa do número de mortes que a Segunda Guerra Mundial deixou


Fonte: PEDRO, Joana Maria. “A Experiência com contraceptivos no Brasil: Uma questão de Geração”. In: Revista Brasileira de História. Volume 23. Nº 45. São Paulo: Julho/2003.

3 comentários:

Mariangela disse...

Parabéns Baccanelli! Muito boa sua matéria e incontestável a verdade do texto!!

Baccanelli disse...

Valeu Mariangela!!!

Mariangela disse...

Aguardo mais publicações, querido companheiro!Abçs!