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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Notícias de época- Execução do Ex coronel da GESTAPO Adolf Eichmann (1962)






Biografia

Adolf Eichmann nasceu e foi educado em Solingen, na Renânia do Norte-Vestfália, Alemanha.
[editar]Alemanha Nazi
Em 1934 Eichmann serviu como cabo da SS no campo de concentração de Dachau, onde, aos olhos de Reinhard Heydrich, se distinguiu. Em setembro de 1937, ele foi enviado para a Palestina com o seu superior Herbert Hagen para averiguar as possibilidades da emigração massiva de judeus da Alemanha para aquela região do médio oriente. Eles chegaram a Haifa, mas só puderam obter um visto de trânsito para o Cairo. Ao chegarem à capital do Egipto, eles encontraram-se com um membro da Haganá mas o conteúdo do encontro é alvo de dúvidas. Também tinham planejado encontrar-se com líderes árabes na Palestina, incluindo o mufti de Jerusalém Amin al-Husayni, mas a entrada na Palestina foi-lhes recusada pelas autoridades britânicas. Hagen e Eichmann escreveram um relatório contrário à emigração de judeus em larga escala para a Palestina por razões económicas e também porque contradizia a política alemã de impedir o estabelecimento de um estado judaico ali.
Eichmann participou na Conferência de Wannsee, ocorrida em 1942, na qual ele foi o responsável pela determinação de assuntos ligados à 'solução final da questão judaica', por ordens de Reinhard Heydrich. Semanas após a conferência, ele recebeu a patente de SS-Obersturmbannführer, tornando-se o chefe do Departamento da Gestapo IV B 4, órgão responsável por toda a logística relacionada com os estudos e execução do extermínio em curso.
Pós-guerra
Eichmann no julgamento
Finda a Segunda Guerra Mundial, Eichmann foi capturado por tropas americanas. No entanto, em 1946 ele conseguiu escapar de um campo de prisioneiros. Depois de muitas viagens (sobretudo pela Itália e pelo Médio Oriente), tendo inclusivamente se servido de um passaporte fraudulentamente obtido junto à Cruz Vermelha Internacional, ele foi para a Argentina em 1950, onde viveu sob o nome de Ricardo Klement, tendo trazido a sua família para o país logo depois.
Em 11 de maio de 1960, Adolf Eichmann foi raptado por uma equipe de agentes secretos israelitas liderados por Raphael Eitan da Mossad (Serviços Secretos Israelitas) após meses de observação. Foi levado para Israel num vôo de avião da El Al em 21 de Maio de 1960.
Adolf Eichmann foi julgado em Israel, num processo que começou a 11 de Abril de 1961. Foi acusado de 15 ofensas criminosas, incluindo a acusação de crimes contra a Humanidade, crimes contra o povo judeu, e de pertencer a uma organização criminosa.
O julgamento causou grande controvérsia internacional. O governo israelita autorizou que as cadeias noticiosas de todo o mundo transmitissem ao vivo o julgamento. Um homem sentado atrás de um vidro à prova de balas e de som, enquanto muitos sobreviventes do Holocausto testemunharam contra ele.
Foi condenado a todas as acusações e recebeu a sentença de morte (a única pena de morte civil alguma vez levada a cabo em Israel) a 15 de Dezembro de 1961 e foi enforcado poucos minutos depois da meia-noite de 1 de Junho de 1962, na prisão de Ramla, perto de Tel Aviv. Foi a única excepção aberta pela lei israelita, a qual não prevê a pena de morte.
Adolf Eichmann durante seu julgamento
por crimes de guerra, em Israel (1962).


A propósito do julgamento de Adolf Eichmann, Hannah
Arendt escreveu o livro "Eichmann em Jerusalém", inicialmente escrito como um contributo para a revista "The New Yorker". Ela cunhou neste livro o termo "Banalidade do Mal".
Adolf Eichmann durante seu julgamento
por crimes de guerra, em Israel (1962).

O ex-coronel da GESTAPO foi executado uma hora após ter seu pedido de clemência negado pelo Presidente Itshak Ben-Zvi.
A execução foi testemunhada por funcionários federais, médico, policiais, jornalistas (inclusive estrangeiros) e pelo pastor protestante canadense William Hull.
Suas últimas palavras foram: “Longa vida à Alemanha... Longa vida à Áustria... Longa vida à Argentina. Estes são os países com os quais mais me identifico e nunca irei esquecê-los. Tive de obedecer as regras da guerra e as de minha bandeira. Parto em paz”.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Adolf_Eichmann




Roberto Carlos - Splish Splash (1963) - Splish Splash

Catanduva, carnaval 1961

Carnaval de 1961
1961 - Coroação na pérgula da Praça da República. Na foto o Rei Momo Mílton Dall’Aglio, o Prefeito Municipal Antônio Stocco e a Rainha do Carnaval Marísia Cione Arieta.

Como costumeiramente acontecia, o Rei Momo e sua corte chegavam de trem especial e era recepcionado com grande festa na Estação da Estrada de Ferro.  Nesse ano, lá estavam o Prefeito Municipal Antonio Stocco (o mais solto dos prefeitos, usava roupa branca e quepe de marinheiro),  o vice Iran Silva e o Presidente da Câmara Constante Frederico Ceneviva. Recebeu boas vindas daquelas autoridades e o Senhor Prefeito lhe entregou a chave simbólica da cidade e este, no comando, leu seu primeiro decreto instituindo o pandemônio da folia durante o seu reinado de quatro dias. Daí iniciou-se o desfile em jipe com  participação de duas bandas e grande massa popular e foram com destino  à Praça da República onde na pérgula se coroou o Rei Milton Dall’Aglio e a Rainha Marísia Cione. Nesse ano se calculou em 40.000  o número de pessoas que lotaram a Rua Brasil desde a Igreja Matriz até o Parque das Américas  que estava feéricamente iluminada e decorada pelo nosso artista Magino Gomide notando-se um ambiente contagiante com músicas nos alto-falantes, nos conjuntos postados no palanque ou trafegando nos veículos. 
O Baile do Clube de Tênis, que era presidido pelo Senhor Gentil de Ângelo, teve a animação da orquestra de  Orlando Ferri de São Paulo, havendo bailes também no Clube dos Bancários, na Sociedade Nipo-Brasileira, no Sexto Quarteirão de Amigos, na quadra do Cruzeiro Cestobol Clube, no Centro Espanhol, usado pela Escola de Samba Coração de Bronze e numa máquina de café na Rua sete de setembro usada pela Escola de Samba 13 de maio.
Catanduva reviveu assim os anos gloriosos de seu carnaval, denominado o “melhor Carnaval do interior do Brasil”.

Mílton Dall’Aglio,

09 vezes Rei Momo do Carnaval Feiticeiro

O Nosso folião-mor Mílton Dall’Aglio, foi bancário e promotor de eventos (Sertãozinho-Sp, 10/03/1926 – Catanduva-Sp, 25/08/1993), funcionário do Banco Comercial de 1944 até a sua aposentadoria; foi diretor do Clube dos Bancários, do Clube de Tênis, onde em 07/11/1964, fez o “Baile da Gravata Preta”, com a participação das orquestras de Osmar Milani e de André Penazzi, diretor social do Aero Clube, onde fez o “Baile da Asa” em 11/04/69 e organizador de festas comemorativas do Dia dos Bombeiros e homenageando a Sociedade Esportiva Palmeiras, da qual era entusiasmado torcedor, uniformizando-se de verde nos dias de jogos,    trouxe-a  em 1972, para jogar em Catanduva.  
 Em razão do seu relacionamento e da sua alegria, foi escolhido por nove vezes nosso  Rei Momo, nos seguintes anos, fazendo par com as seguintes Rainhas: 1953 – Odete Lopes Costa, 1955 – Heloísa do Carmo Lima, 1956 – Odete Cavalieri, 1960 – Maria Inês Patriani, 1961 –
 Marisia Cione Arieta, 1962 – Maria da Glória do Espírito Santo Ribeiro, 1963 – Leonice  Lerro Ribeiro, 1975 – Marta Magatti, 1976 – Sônia Montanha.

http://www.catanduvacidadefeitico.com.br/exibemateria.php?noticia_id=293




O Gordo e o Magro daçando ao som de "Oye Como Va"


Oliver Hardy (o Gordo) e Stan Laurel (o Magro)já haviam morrido há muitos anos, quando o famoso guitarrista mexicano Carlos Santana gravou a música "Oie Como vá".

Pois bem.
Alguém encaixou perfeitamente a música de Santana com a performance de Laurel & Hardy...
E vejam só... (Comentário de Nelson Bassanetti)

Neste vídeo,Laurel and Hardy dancing Santana's song "Oye Como Va".
A dupla " O Gordo e O Magro" dançando a música "Oye Como Va" de Carlos Santana.

Sobre a Música:
"Oye Como Va" é uma canção escrita por jazz latino e mambo músico Tito Puente em 1963 e popularizado por Santana 's versão da canção em 1970 no álbum Abraxas , ajudando a catapultar para o estrelato Santana com a música alcançando # 13 na Billboard Top 100 . A canção também alcançou a posição # 11 na Billboard pesquisa Fácil de Ouvir e # 32 em sua R & B gráfico. Foi inspirado por Israel "Cachao" Lopez "Chanchullo".

A Música original com Tito Puentes- 1963


Por Santana's 1970





Mariângela Cãndido

domingo, 15 de janeiro de 2012

I'd love you to want me - Lobo ( anos 70)


Lobo




Roland Kent Lavoie, mais conhecido pelo nome artístico de Lobo (nascido em 31 de julho de 1943), é um americano cantor e compositor que fez sucesso no início de 1970, marcando várias Top 10 EUA hits, incluindo " Eu e Você e um cachorro chamado Boo "," eu te amo para Want Me "e" Não espere que eu seja seu amigo ".

"My Girl" - The Temptations (1964)


 The Temptations 





My Girl", lançada em 21 de Dezembro de 1964, é uma canção gravada pelo grupo norte-americano The Temptations. Em 1965, figurou em primeiro lugar em algumas paradas de sucesso. Foi escrita e produzida por Smokey Robinson e Ronald White, membros do grupo The Miracles. A inspiração de Robinson para escrevê-la foi sua esposa, também pertecente ao grupo Miracles, Claudette Rogers Robinson, e sua intenção original era que seu grupo a gravasse.
Essa música foi também gravada por Michael Jackson, em seu segundo álbum solo intitulado Ben, de agosto de 1972. A música "My Girl" é a sexta música do "set list" do álbum e fez grande sucesso na voz do cantor.

The Temptations (por vezes abreviado como The Temps ou The Tempts) é um grupo vocal americano que conquistou fama como um dos números mais bem-sucedidos a gravar para a Motown Records. O repertório do grupo incluiu, ao longo de sua carreira de cinco décadas, R&B, doo-wop, funk, disco, soul e adult contemporary.
Formado em Detroit, Michigan, em 1960, como The Elgins, os Temptations sempre contaram com pelo menos cinco vocalistas/dançarinos do sexo masculino. O grupo, célebre por sua coreografia inconfundível, harmonias distintas e roupas usadas no palco, já foram definidos como tão influentes ao soul quanto os Beatles foram para o pop e o rock. Tendo vendido dezenas de milhões de álbuns, os Temptations são um dos grupos de maior sucesso na história da música e foram descritos como o grupo vocal masculino definitivo da década de 1960. O grupo têm o maior tempo de serviço com a Motown, depois de Stevie Wonder, tendo permanecido com a gravadora por um total de 40 anos: 16 de 1961 a 1977, e mais 24 de 1980 a 2004 (de 1977 a 1980 estiveram contratados pela Atlantic Records). Em 2009 os Temptations continuam a se apresentar, e gravam para a Universal Records com o único membro vivo da formação original, o co-fundador Otis Williams.
O grupo original incluía os membros de dois grupos vocais de Detroit: The Distants, com o segundo tenor Otis Williams, primeiro tenor Elbridge "Al" Bryant e o baixo Melvin Franklin, e o primeiro tenor/falsetto Eddie Kendricks e o segundo tenor/barítono Paul Williams (sem parentesco com Otis), do The Primes. Entre alguns dos cantores mais célebres que passaram pelo grupo estiveram David Ruffin e Dennis Edwards (ambos dos quais se tornaram artistas solo de sucesso pela Motown após deixar o grupo), Richard Street (outro ex-Distant), Damon Harris, Ron Tyson, Ali-Ollie Woodson, Theo Peoples e G.C. Cameron. Como seu "grupo-irmão" feminino, o Supremes, a formação do Temptations mudou com frequência, especialmente nas últimas décadas.
Ao longo de sua carreira o Temptations lançou quatro singles que chegaram à primeira posição da Billboard Hot 100 e 14 singles que chegaram à primeira posição na categoria R&B. Sua obra também lhes rendeu três Prêmios Grammy, para o compositor e o produtor musical responsável pelo seu sucesso de 1972, "Papa Was a Rollin' Stone"; o grupo foi o primeiro contratado da Motown a conquistar um Grammy. Seis dos Temptations (Dennis Edwards, Melvin Franklin, Eddie Kendricks, David Ruffin, Otis Williams e Paul Williams) foram indicados ao Rock and Roll Hall of Fame, em 1989, e três canções clássicas do grupo, "My Girl", "Ain't Too Proud to Beg" e "Papa Was a Rollin' Stone", foram incluídas nas suas 500 Canções que Formaram o Rock and Roll.

http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Temptations

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA (1962) - dublado







O Homem Que Matou o Facínora

(Man Who Shot Liberty Valance, The, 1962)
         Mais do que um empolgante faroeste, uma obra questionadora e de importante significado histórico.
Mesmo tendo realizado grandes filmes em outros gêneros, John Ford é, até  hoje, o diretor mais associado ao faroeste em todo o cinema. Suas obras não apenas ajudaram a moldar as regras e conceitos do gênero como também influenciaram todos os outros cineastas que versaram sobre o Velho Oeste, como Sergio Leone e Clint Eastwood. Em 1962, já um diretor consagrado, Ford realizou aquele que talvez seja o seu faroeste mais importante, O Homem que Matou o Facínora, uma obra seminal e sua melancólica visão sobre o final de uma época que marcou a história norte-americana e um gênero que definiu o cinema.

Escrito por James Warner Bella e Willis Goldbeck a partir de uma história de Dorothy M. Johnson, O Homem que Matou o Facínora  começa com a chegada do senador Ransom Stoddard e sua esposa Hallie na estação de trem de Shinbone. A razão da ilustre presença do político na pequena cidade é o funeral de Tom Doniphon, um homem sobre o qual as gerações mais jovens do local nunca ouviram falar. A pedido do jornal da região, Stoddard conta como a sua história cruzou com a de Doniphon dezenas de anos atrás, quando o senador, recém-saído da faculdade de Direito, e Tom, quase o xerife da região, decidiram enfrentar Liberty Valance, o bandido que constantemente ameaçava o local.


Engana-se, porém, quem pensa que O Homem que Matou o Facínora é uma produção reflexiva e entediante, com o único objetivo de fazer o espectador pensar. Muito pelo contrário: trata-se de um filme envolvente, cuja história funciona em diversas camadas. Aqueles que buscam apenas assistir um faroeste empolgante, com belíssima narrativa, mocinhos e vilões, também não irão se decepcionar. John Ford é hábil ao não perder a mão da trama, construindo impecavelmente as relações entre os protagonistas de maneira que, no momento do clímax, é praticamente impossível desviar os olhos. O cineasta não deixa de lado nem mesmo o bom humor, tarefa realizada com perfeição pelos divertidos Edmond O’Brien, no papel do Sr. Peabody, e Andy Devine, como o xerife.

Complexo na construção dos personagens e profundo em significados, O Homem que Matou o Facínora é um grande filme e, acima de tudo, uma realização extremamente importante para o próprio cinema. Uma obra melancólica, que dá adeus a uma era enquanto abraça outra, realizada pelo cineasta que foi principal baluarte deste tempo que se ia. Divertido e empolgante, mas, acima de tudo, relevante e histórico.





O Homem que Matou o Facínora é considerado, hoje, um dos maiores clássicos não somente do faroeste, mas de todo o cinema. E com justiça. É um filme capaz de ser apreciado em diversos níveis, tanto apenas pela força da história e dos personagens quanto por todo o significado que possui e questões que ousa levantar. O que se vê na superfície é apenas uma parte. Como é comum nos filmes de Ford, O Homem que Matou o Facínora não está limitado apenas ao conflito entre os bandidos e os mocinhos, utilizando este enredo para trazer à tona discussões sobre conceitos como a passagem do tempo, o papel da imprensa, o valor do ser humano e a necessidade da existência dos mitos.

“Esse lugar mudou”, diz Hallie (Miles), logo nas primeiras cenas de O Homem que Matou o Facínora. Desde o princípio, Ford planta os alicerces para a principal mensagem que vai transmitir durante as pouco mais de duas horas de filme: a do final de uma era. A chegada do idealista e literato Ransom Stoddard (Stewart) à cidade é a representação do conflito entre os valores do Velho Oeste e a chegada do progresso. Stoddard prefere livros às armas. É a civilidade buscando espaço neste local e nesta época bárbara. A modernidade e a decência tentando se inserir em um lugar onde elas praticamente não existiam. O antagonismo entre Tom Doniphon e Liberty Valance é o símbolo de uma época em seus estertores, cujo golpe de misericórdia será dado pela educação e progresso representados por Stoddard.

Quando começa a dar aulas para o povo da cidade, Stoddard assume como lema: “A educação é a base para a lei e a ordem”. Doniphon, o típico personagem de John Wayne, o cowboy durão com uma pistola na cintura, acredita que o aprendizado é perda de tempo, pois ali isso não terá importância alguma. É a lei da bala contra a lei dos livros. O passado contra o futuro. O mesmo vale para as eleições propostas por Stoddard. Ao sugerir que as pessoas ajudem na formação de um Estado para lutar por seus direitos, o personagem faz com que a cidade dê mais um passo na direção da evolução e do progresso, deixando para trás o tempo onde a desordem imperava – nesse sentido, é simbólica a inserção da cena das eleições logo após a morte do bandido, como se aquele assassinato sepultasse o passado e abrisse as portas para o futuro.

O roteiro é perfeito na forma com a qual equilibra estas reflexões com o desenvolvimento do próprio enredo. Ford constrói a sua narrativa de forma precisa, com cada cena auxiliando no desenvolvimento dos personagens e, tão importante quanto, levando a trama adiante para o inevitável confronto com Valance. O título do filme, aliás, ajuda na construção dessa tensão: até o momento do duelo, o espectador não sabe quem é realmente o homem que vai matar o facínora. A dúvida permeia o desenrolar da trama: irá Ransom Stoddard renegar todos os seus valores de decência e tirar a vida de um homem ou a tarefa ficará a cargo de Tom Doniphon, o único capaz de realmente enfrentar Liberty Valance?

A formação da personalidade de Stoddard também é um dos grandes méritos de O Homem que Matou o Facínora. Além de possuir toda a já comentada significação, o personagem possui um arco interessantíssimo, que o coloca diante de profundos dilemas. Criado sob os preceitos da lei e doutrinado com todos os valores da civilização, Stoddard subitamente se vê em um local onde todas as suas crenças não possuem mais utilidade. Ele precisa mudar e, de certa forma, involuir para sobreviver. Ao mesmo tempo, também é o agente da mudança naquela sociedade, a ponte que liga a terra sem lei à sociedade organizada do amanhã. Este conflito interno do personagem, personificado brilhantemente através da vulnerabilidade de James Stewart, é um dos maiores pilares do filme.


Da mesma maneira, o dilema de Stoddard é uma das possíveis razões pelas quais O Homem que Matou o Facínora se tornou uma obra atemporal. O personagem se questiona sobre como enfrentar Liberty Valance: será possível fazê-lo apenas através das leis ou será necessário empunhar uma arma para lutar de igual para igual? De certa forma, é uma questão que permanece viva até hoje, um tema cada vez mais atual, principalmente em nossa sociedade. Como resolver o problema da violência? Apenas a decência e a educação são capazes de enfrentar a bala? Ou é indispensável declarar guerra, talvez a única “lei” capaz de obter algum resultado contra aqueles que desprezam a ordem e o bom senso?

E as interessantes questões levantadas por O Homem que Matou o Facínora não param por aí. Outro ponto central da narrativa é o papel desempenhado pela imprensa. As primeiras cenas do filme já deixam claro esse aspecto, quando os jornalistas exigem uma declaração de Stoddard, como se fosse direito do público saber o motivo pelo qual ele retornou à cidade. Ao longo do filme, os questionamentos sobre o assunto tornam-se mais freqüentes, chegando à discussão sobre o papel da mídia na formação de nossos heróis e de nossa história. O quanto daquilo que tomamos como fato realmente é verdade? A imprensa possui o direito de construir os modelos e referências de uma sociedade? “Quando a lenda se torna fato, publique a lenda”, diz um dos jornalistas, na frase mais famosa do filme.

Por Silvio Pilau
http://www.cineplayers.com/critica.php?id=1854